domingo, 3 de janeiro de 2010

Pseudo despedida

Desde setembro muito aconteceu.
Ao meu ver, o verbo que mais define esses acontecimentos é "conseguir", conjugado na primeira pessoa do singular, no Pretérito Perfeito: Consegui!
Consegui terminar o segundo período, consegui um estágio, consegui um namorado. A junção dessas e outras pequenas coisas só me faz acreditar que é possível alcançar objetivos que levam a metas maiores e nos trazem felicidade.
Não sei mais o futuro desse blog visitado por mais ninguém. Possivelmente, receberá postagens aleatórias de uma noite em que eu estiver sem sono e um dia será cancelado por ficar no ar por tanto tempo. Mas não importa. Os planos que mais me interessam são os do meu futuro e nestes o blog não entra como prioridade.
Isso se trata de um pseudo despedida porque no fundo sei que voltarei. Sempre volto!
A felicidade é líquida quando escorre pelos olhos e faz abominar qualquer tipo de sentimento ruim.
Por mais que seja momentânea, se for real, ela não será liquidada. Ao contrário, continuará manifestando-se liquidamente por motivos íntimos e para a maioria incompreensíveis.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Vai que vira realidade?

Deixa que eu me sinta a mocinha de um palco em que a narradora e a protagonista se encontram em mim.
Deixa eu eleger tudo: enredo, personagens, cenário, figurino.
Deixa eu fingir que a vida é como eu quero.

É tudo sonho mesmo, besteira que dá e passa...
OU NÃO.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Estranho...

Às vezes eu acho que não sou uma pessoa normal. (Não que eu queira entrar no mérito de discutir e/ou definir normalidade. Já basta o que me foi cobrado no vestibular da UFRJ do ano passado) Contudo, perdi as contas de quantas vezes já recebi a palavra “estranha” como adjetivação. Recordo que só no último sábado foram duas. Talvez isso tenha me causado estranheza, porque ninguém gosta de ser estranho. (eu acho!) E tal sentimento me motivou a escrever bobagens numa noite de insônia.
Eu poderia investigar os motivos que levaram as pessoas a me definir de tal maneira (e seria até bom para treinar a apuração de informações), mas me parece tão egocêntrico pesquisar sobre si mesmo. Nem Narciso perdia tempo com isso. Pra falar a verdade, ele também não perdia tempo escrevendo sobre si mesmo, suas definições, indagações e crises existenciais.
Nesse ínterim, em que começo a escrever esse final, percebo que cada ser é um ser distinto e que possui, intrínseca a si, uma estranheza própria e mutável. A diferença é que a de alguns não é visível nem a si mesmo, enquanto a de outros evidencia-se a todos.

Aviso

Peço desculpas se choquei meus assíduos leitores (como se houvessem muitos) com a minha última postagem. A última palavra do último do conto é vista por muitos como xula, no mínimo. Mas sinto muito por quem desgostou. O blog é meu e eu escrevo o que eu quiser.
Não pense que estou tornando-me rebelde. Não creio que seja isso. Talvez busque simplesmente emancipações. Todas elas! É bom não se sentir reprimido por algo ou alguém, se isso te faz mal. Não vamos perder o respeito (não xinguei ninguém aqui), pois sou a favor dele até o fim. Mas acima de tudo o respeito por si e pela liberdade própria devem ser preservados.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Bi-amor

– É seu o meu sorriso – disse ela. Havia tanta expectativa naquele semblante, que só um desconhecedor da alma feminina poderia não compreender.
– Eu sei: tudo que é seu, é meu – ele afirmou rindo, sem (aparentemente) entender as milésimas intenções que ela quis demonstrar naquela frase.
Era esse o problema de Denise: ela nunca soube ser direta. Nem em respostas objetivas de provas, e menos ainda com os garotos. Nesse caso específico – da paixão que sentia por Daniel –, havia uma inquietação maior: ele tinha namorado. Portanto, ao mesmo tempo em que desejava abrir o jogo, sentia-se uma completa vilã por querer atrapalhar um relacionamento. Ela sabia que ele era feliz.
Rezava todas as noites para que eles terminassem e/ou para que Deus pusesse fim àquele sentimento incoerente e doloroso.

***

– É seu o meu sorriso – Daniel a ouviu dizer. Seu maior desejo ali era beijá-la como sempre queria quando a tinha por perto. Na verdade, ele ficava confuso quanto à sua sexualidade toda vez que Denise estava ao seu lado. Era a única mulher que lhe abria o apetite sexual e sentimental, principalmente por insinuar-se de forma tão meiga e subjetiva. Contudo, sabia que não era possível. Ricardão há uns tempos vinha desconfiando e ele precisava dissimular.
– Eu sei: tudo que é seu, é meu – disse. Menos a sua buceta, pensou.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Amor (in)visível


Do mesmo diretor do famoso “2 Filhos de Francisco” (2005), “Era uma Vez...” (2008) é um longa metragem aparentemente banal, pelo menos a princípio. Contudo, mesmo com um argumento que é uma espécie de cópia atualizada de Romeu e Julieta, o diretor e produtor Breno Silveira consegue, a partir de um roteiro muito bem elaborado, impedir que o filme se torne tedioso.
A história se inicia com a apresentação, através de um Plano Geral, do Morro do Cantagalo pelo personagem principal, que é morador da comunidade. Enquanto outros habitantes caminham pela favela, ele cita suas profissões (gari, ambulante, babá, flanelinha) e afirma que todos eles são uma “multidão invisível”, por morarem dentro do bairro mais rico do Rio de Janeiro e não serem notados. Dé (Thiago Martins) é mais um desses muitos que não se vê – trabalha na praia vendendo cachorro-quente – e mesmo com um passado sofrido, por ter presenciado a morte de seu irmão biológico e a prisão injusta de seu irmão adotivo, permanece um homem honesto e esforçado que nunca se envolveu com o crime. Tais características corroboram para diminuir a visão estereotipada que se tem do habitante da favela.
De trás da barreira social existente ele se apaixona platonicamente por Nina (Vitória Frate), uma menina rica, moradora de Ipanema (Av. Vieira Souto) e que havia terminado um relacionamento recentemente. Em meio a mentiras, que servem para impedir a ilusão de que o personagem é um mocinho sem defeitos e lhe dá humanidade – fingindo ser da mesma faixa socioeconômica que Nina – Dé se aproxima e faz com que ela se sinta atraída por ele. Ao descobrir sua realidade não se afasta dele, indo de encontro aos preconceitos de amigos e familiares das duas partes. Cria-se a partir de então, um amor utópico que aguarda por futuras intervenções, como em qualquer história previsível.
O obstáculo para que o casal permaneça unido é apresentado, porém, de maneira sutil e adequada: os dois estão num momento íntimo na praia, quando são separados pela chegada de Carlão (Rocco Pitanga). Tal interrupção pode ser interpretada como um empecilho para que a união deles seja concretizada, baseando-se nas conseqüências desse encontro. Desta forma, o retorno permanente do irmão adotivo de Dé, após sair da prisão, é o princípio desse novo rumo que a narrativa tende a seguir, sempre com pitadas de violência. O morro permanece sendo, assim, o foco dos acontecimentos no terço final do filme, conferindo expectativa à trama.
Com um desfecho interessante e inverossímil simultaneamente, o filme desconstrói, em partes, uma visão preconceituosa, apresentando o morro e o asfalto como pontos onde ocorrem mortes de inocentes. A cena adicional, na qual o ator que faz Dé, Thiago Martins, dá um depoimento documental como morador de favela, tenta aproximar e fazer visível aquela “multidão invisível” personificada no ator. Tal fato se torna essencial para que o longa tenha um diferencial em relação a filmes como “Cidade de Deus” (2002) e “Tropa de Elite” (2007), que só têm como foco a violência na favela.
Embora o título do filme (Era uma vez...) remeta a Contos de Fadas e histórias felizes, essa é uma idéia que o filme desconstrói desde as primeiras cenas, que são violentas e realistas. Além disso, a infantilidade, também sugerida pelo título, é deixada para trás, fazendo com que o filme alcance um bom espaço no cinema nacional. Um projeto que aparentemente não propõe ser diferente, mas que consegue atingir tal característica dignamente.

sábado, 30 de maio de 2009

E agora?

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, menos eu. Não há como ter esperanças de algo bom acontecer quando se está sozinha em casa, olhando pra tela de um computador. Todos os outros estão se divertindo, conversando, se olhando.
Esse é o retrato da solidão.
Ela é a minha única companhia nesse sábado, nessa noite. Infelizmente, ela não tem mãos pra me fazer um cafuné ou acariciar, nem boca para me beijar ou falar. Ela não tem nada. É vazia.
Infelizmente.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Atrás

Sonhei que o mundo era uma festa de criança
Pipoca, Doce de leite
Massinha, Tatuagens
Cambalhotas, Piscina de bolinhas
Pique-pega, Esconde-esconde

Dever de casa pra quê?
Tava tudo tão bom
Calmo
Luz

Acordei no meu mundo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

E eu não vi.

O Tempo é carente. Ele me olha com um olhar triste. Ele quer ficar. Ele quer que eu o veja passar. Mas, na verdade, ele passa e eu não vejo. Quando noto já passou e sumiu e o perdi, como eu não queria que fosse.
E todo dia ele desfila ao meu entorno, me seduz. Ele quer que eu o veja passar. Mas eu não posso, não tenho tempo. Não posso tê-lo. Tenho a minha atenção voltada para outras coisas.
Para todas as coisas.
É assim. Assim que perdemos o mais importante. O que passou e não vimos. E queríamos ter visto.